quarta-feira, 30 de junho de 2010

Cidadão de Papelão

“O cara que catava papelão pediu
Um pingado quente, em maus lençóis, nem voz
Nem terno, nem tampouco ternura
À margem de toda rua, sem identificação, sei não
Um homem de pedra, de pó, de pé no chão
De pé na cova, sem vocação, sem convicção

À margem de toda candura
À margem de toda candura
À margem de toda candura

Um cara, um papo, um sopapo, um papelão

Cria a dor, cria e atura
Cria a dor, cria e atura
Cria a dor, cria e atura

O cara que catava papelão pediu
Um pingado quente, em maus lençóis, à sós
Nem farda, sem tampouco fartura
Sem papel, sem assinatura
Se reciclando vai, se vai

À margem de toda candura
À margem de toda candura

Homem de pedra, de pó, de pé no chão

Não habita, se habitua
Não habita, se habitua”


O Teatro Mágico

terça-feira, 29 de junho de 2010

Uma parte da cidade.


Depois de dois anos de criação do programa Goiânia Coleta Seletiva da prefeitura municipal de Goiânia, ainda se pode ver muitos coletores de matérias recicláveis nas ruas da capital. O projeto inicial foi desenvolvido, entre outros, para gerar uma fonte de renda e um pouco mais segurança no trabalhão dos catadores. Mas muito se falou e pouco se fez!

Uma pesquisa realizada pelos gestores ambientais Alexander de Araújo e Lourivan da Silva em 2008 relata a existência de três mil e 500 pessoas, destas, 64% moram de aluguel, 55% têm três filhos ou mais, 39% são analfabetos, 65% recebe um salário ou menos, e 69% são a tração do carrinho.

A Classificação Brasileira de Ocupação (CBO) reconhece a profissão no Brasil, entretanto ela ainda não recebe atenção necessária. Segundo informações do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), 60% do trabalho no país todo é realizado pelos coletores e ainda assim eles vivem em condições subumanas nos depósitos, nas ruas e como péssimos salários que gira em torno de 140 reais.



Apenas crianças

Tarde de domingo. Para os meus colegas uma oportunidade, talvez, de aprender um pouco mais de fotografia, para mim, apenas um momento de aprender um pouco mais do que é a vida.