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Trânsito
Urgência nas avenidasUrgência nas avenidas Foto: Flávia Parreira
Não há como negar. A dificuldade de locomoção dos goianienses aumenta a cada dia. Tanto automóveis, como pedestres, ciclistas e deficientes sofrem com a falta de planejamento no trânsito da capital.
O Movimento Nacional para a Democratização do Trânsito (MNDT), propõe um espaço a favor de discussões que não estejam ligadas somente a especialistas, mas que possibilite um controle social, o exercício da cidadania e o envolvimento da população. Neste modelo, não são mais os veículos automotores que detém o privilégio. Mas sim, quem não precisa de um automóvel, ou quem inevitavelmente, em algum momento do dia, se torna pedestre.
O projeto de mobilidade sustentável também é um forte aliado para a correção do tráfego. Ele estabelece intervenções nos espaços construídos, que corrijam a situação caótica, nas áreas de expansão urbana, e evita a multiplicação do caos.
Medidas como estas possibilitam o desenvolvimento econômico, e não anulam a indústria automobilística geradora de empregos e auxiliadora de vários segmentos sociais. A viabilidade da proteção ao meio ambiente, com indicadores da capacidade ambiental do local como: limites de ruídos e qualidade do ar são eficazes neste modelo. A justiça social também democratizaria o trânsito das cidades, e não permitiram que os menores fossem tão prejudicados.
O doutor em engenharia de transporte, professor do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), Universidade Católica de Goiás (UCG) e da Universidade Estadual de Goiás (UEG) Beijamim Jorge de Araújo, afirma que o trânsito é composto por três eixos: educação, engenharia e fiscalização.
Araújo comenta que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) prevê uma orientação para as crianças no início do ensino básico até a inserção no ensino superior. Segundo o ele, não faltam verbas para a aplicação da lei, pois também já foi estabelecido que uma parte da arrecadação das multas aplicadas nas cidades seja direcionada para educação.
Mas na prática isso não ocorre. As escolas públicas não conseguem implantar o básico para a formação de um cidadão, quem dirá então cumprir uma demanda que é obrigação de outro órgão. Esse problema se reflete na nova geração. Uma pesquisa realizada pela UCG, demonstra que, em um grupo de 10 jovens, de 18 a 23 anos, 4 dirigem depois de beber. Nesse mesmo grupo, 3 admitem dirigir sem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Se há 10 anos atrás, quando foi implantado o código, a exigência houvesse sido comprida, certamente o número de mortes no Brasil não seria de 23 pessoas em um grupo de 100 mil. Mas não é preciso ir tão longe. Quem nunca viu meninos de 10, 12, anos dirigindo mobiletes pelas ruas da capital? Esse é um ponto muito delicado. No caso de atropelamento, fica difícil encontrar o responsável, pois ele não tem se quer uma habilitação. O CTB exige a CNH de categoria ACC para que um cidadão conduza qualquer veículo de até 70 cilindradas. Por isso, ao contrário do que muitos pais pensam, ao permitir que os filhos dirijam essas motocicletas, e coloquem a vida de outros em risco, é necessário se habilitar.
Em João Pessoa, capital do estado da Paraíba, foi aprovada uma lei de criação do vereador Waldir Dowsley (PRP), que prevê a obrigatoriedade do ensino de noções básicas sobre o trânsito nas escolas. Com isso, os alunos receberão orientações no início da quarta série do ensino fundamental. Os professores serão ainda, orientados por equipes de educação da Superintendência de Transporte e Trânsito da cidade (STTrans).
Medidas como essas são válidas desde que o problema não seja tratado de maneira vertical. Ou seja, é preciso um planejamento que impossibilite a exclusão do pouco que é transmitido às crianças. As matérias básicas não podem sofrer perdas com a chegada de uma complementar. Pois com isso, o problema fica apenas mascarado.
Foto: Flávia Parreira
Mas a educação é somente um elemento. Também existe a engenharia e infra-estrutura da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT). Para o professor, a “SMT funciona em área restrita, os prédios não são adequados e é preciso ainda renovar o quadro de engenheiros”.
Um ambiente de trabalho é o mínimo que se espera para realizar atividades eficazes. É impossível concretizar o sincronismo dos semáforos, sem equipamentos adequados e uma estrutura física. Além disso, a superintendência funciona com um número pequeno de funcionários que impossibilita até mesmo a realização de atividades educativas.
Araújo explica que uma central de controle e um metrô de superfície -que deveria ter sido implantado quando a cidade alcançou o número de 500 mil habitantes- são adequados e cabem no orçamento, pois o ministério das cidades apóia a implementação. A prefeitura de Goiânia criou algumas medidas, que a principio minimizam as conseqüências do transito da capital. Entre elas estão os viadutos da praça do ratinho, e o elevado da avenida T-63 com avenida 85. Essas medidas são essências, pois as praças semáforos e elevados são eficazes até que se atinjam sua capacidade de organizar o tráfego.
Outra questão ligada diretamente à fluidez é a fiscalização. “Deve multar sem dó, porque ninguém vai conscientizar sem antes ser punido”, pontua o Doutor. As pessoas têm que visualizar as conseqüências de seus atos. Ultrapassar os limites de velocidade, furar sinais, e estacionar em fila dupla, são ações particulares que priorizam um condutor e infringem os limites do ser humano. A fiscalização então, lembrará minimamente a esses que o trânsito não é individual e sim coletivo.
Lentamente a população percebe a importância e a necessidade de se investir na melhoria do trânsito. Isso não deve ser um plano de quatro anos, mas sim planos de governo que tenham uma seqüência e não esteja composto por interesses pessoais e financeiros. O fato é que se for adiado por muito tempo, causará mais vidas, percas e estragos para os cidadãos.
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